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| Bárbara Morais, atriz e estudante |
OBRIGADO POR SUA HISTÓRIA
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Sobre o Suicídio de Artistas! (Crônica)
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Entrevista com José Bocca - Votorantim / SP
Vencedor do Festival de Humor de Sorocaba, na categoria Causos e Mentiras, no ano de 2007. Coordenador e apresentador do projeto Violas, Causos e Crendices, em Votorantim.
É vice presidente do Instituto Conta Brasil, que se propõe a discutir questões relativas à narração oral, em todo território brasileiro.
Ministra oficinas e palestras sobre a arte de narrar histórias, junto a órgãos municipais, estaduais, federais, empresas privadas e ONGs
Em parceria com o Instituto Cultural Aletria de Belo Horizonte/MG, atua monitorando oficinas junto ao grupo Encantadores de Histórias, formado por recuperandos do sistema APAC (Associação de proteção e assistência ao condenado).
Jiddu Saldanha – Como você vê o panorama da contação de histórias no Brasil hoje. Ouve um crescimento e um amadurecimento da expressão destes artistas?
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Lembrança de Divinópolis - MG
Divinópolis, uma bela cidade que fica a duas horas de Belo Horizonte, terra da poeta Adelia Prado e do professor e contador de histórias Juvenal Bernardes, foi lá que ministrei a oficina “O Gesto na Narrativa Oral”; um contato profundo com a arte de narrar histórias. Em Abril de 2011. Foram momentos inesquecíveis, “horinhas de descuidos”, como diria Guimarães Rosa, onde fluiu a verve mineira, o melhor da energia de narrar num estado que concentra o maior número de contadores de “causos” por metro quadrado do Brasil.sexta-feira, 6 de maio de 2011
Entrevista exclusiva com Marciah Fonseca - RJ

MF - Não é em todo o interior do Rio de Janeiro, todo encontro de jongueiros a maioria dos grupos e comunidades são do interior, poucos são os jongos ditos “urbanos”... em qualquer lugar o “velho” e o “novo” travam a questão é mais grave, na minha vivência, é na região do lagos. N aminha opinião falta TRADIÇÃO.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Entrevista exclusiva com o escritor e contador de histórias - Almir Mota, CE
Foi uma grande experiência para mim, conhecer o escritor e contador de histórias Almir Mota, um cearense bem chegado, prosador, e grande incentivador da nossa atividade pelo Brasil. Bem vindo, amigo! Diga lá...Escritor de literatura infantil com 16 livros publicados editor da Casa da Prosa
Membro do Colegiado Setorial do Livro e Leitura do MinC, instância do Conselho Nacional de Política Cultural
Contemplado na Bolsa Funarte de Circulação Literária 2010
Ganhador do Premio Literatura para todos -MEC 2008
Jiddu Saldanha – O Cearense é considerado um contador de histórias nato, a que você atribui este forte traço cultural?
Almir Mota - Na minha família, principalmente por parte do meu pai, todos adoram contar um bom causo. Era sempre assim quando eu era menino, pelos seis anos de idade ouvia muito minha Avó a Dona Canela (canela aqui é aquela planta que se faz chá) ela contava todo tipo de histórias rimas ou não. Então acredito que assim como eu muitos outros cearenses ouviram histórias na infância.
JS – Como foi que a arte de contar histórias surgiu na tua vida?
AM - Como contador de histórias foi há uns 12 anos quando estava lançando o meu primeiro livro infantil, O Cavalinho Amarelo. Daí pra cá fui só melhorando o repertório de histórias e criando as minhas próprias.
JS – O que a arte de contar histórias acrescenta na vida das pessoas em geral?
AM - Muita imaginação, eu acho. Mas também oferece a chance de conhecer mais daquilo que esta nas pessoas. Pois os contadores são esta espécie de gente-livro que vive se mostrando para o mundo.
JS – Que tipo de “talento especial” é necessário, na tua opinião, para ser um contador de histórias?
AM - Precisa aprender ouvir, isto já um começo. Acho-me um bom ouvinte.
JS – Você acha que, no Brasil, já existe o reconhecimento do profissional contador de histórias? Qual o impacto disso, na tua opinião?
AM - Infelizmente ainda não temos, mas o contador de histórias como profissional já é citado até na lei do magistério. Precisamos nos unir mais. O Conta Brasil (Instituto de Contadores de Histórias do Brasil) pode ser uma boa ferramenta de luta junto ao congresso nacional para regularizar a classe.
JS – Quem são os artistas desta área que você costuma apreciar?
AM - Vixe. São muitos meu filho! Meus amigos todos contadores. Mais aqui no Ceará tem uns velhos de setenta e lavai pedradas que contam divinamente. Nós descobrimos no projeto da Júlia Barros, o “Lamparina de histórias”, entre eles temos seu Manuel Sivestre da cidade de Aquiraz.
JS – O que você recomenda para os jovens que querem se dedicar à arte de contar histórias?
AM - Escutem os mais velhos. Ouçam a voz, o gesto e o olhar de quem carrega as histórias por toda a sua vida. Leiam bastante, o bom narrador precisa saber o que esta contando para as pessoas.
JS – Quem é Almir Mota por Almir Mota?
AM - Um cearense esperto que nem mineiro, apressado feito paulista, manso como carioca e batalhador como todo brasileiro.
Para navegar no site de Almir Mota clique aqui
Conheça o blog de Almir Mota clicando aqui
quinta-feira, 17 de março de 2011
Entrevista com Laerte Vargas.
Laerte Vargas é Contador de Histórias, Facilitador de Oficinas e Terapeuta Corporal.Desde 1994, viaja o Brasil ministrando oficinas e prestando assessoria a grupos de contadores de histórias e programas de leitura. Atuou no Proler, Leia Brasil, Paixão de Ler e diversas Bienais do Livro, além da participação como especialista na arte de contar histórias em seminários e jornadas de leitura.
Ministrou oficinas e implantou núcleos de contadores nas empresas: Furnas, Sulamerica e Unimed-Rio.
Foi o fundador e dinamizador do Grupo Latão de Histórias da Comunidade do Morro Santa Marta.
Atualmente, coordena a Spaço dos Contos/RJ, o primeiro centro de formação continuada de contadores de histórias do Brasil.
Jiddu Saldanha - Como você iniciou sua carreira de contador de histórias?
Laerte Vargas - A primeira oficina de que participei já, de cara, me deixou muito instigado a continuar. Na verdade, ainda tinha o olhar do ator e o pouco investimento necessário para contar histórias me interessou mais como uma ferramenta profissional do que como uma opção de linguagem. Mal sabia eu que o bichinho do contar já havia me fisgado. Logo reuni um grupo de pessoas para que começássemos a contar e a formar um repertório. Felizmente encontrei algumas instituições que abriram as portas para o meu trabalho, que desde o início foi remunerado. Dessa forma, o ofício foi tomando cada vez mais espaço em minha vida e me deu retorno imediato para a compra de livros e impressão de materiais de divulgação. Trabalhei um ano direto com o Museu de Folclore Edison Carneiro, participando de festivais de contos populares, material que se tornou o grande nicho de pesquisa de repertório para mim. Depois disso, os convites se sucederam e não parei mais.
JS - Na tua opinião, existe alguma relação entre o fazer teatro e o contar histórias?
LV - Existe uma diferença que, para mim, é fundamental: o ator representa; o contador de histórias apresenta. Quando o narrador começa a se sobrepor à história e necessita de muitos elementos para evocar as imagens que ela suscita, aí deixou de ser contação e passou a ser outra coisa, bem diferente. Esse papo de contação teatralizada é conversa pra boi dormir. Sempre digo que contar histórias é um exercício de simplicidade e generosidade. Na maioria das vezes, os elementos cênicos são desnecessários, pois eles acabam engolindo a história e o pretenso contador, com sua vaidade exacerbada, vai passando como um trator por cima do conto. Assim, o que resta é apenas um exercício narcísico. É importante dar espaço para que os ouvintes criem suas próprias imagens: esse é um dos maiores trunfos da contação frente à tecnologia atual. A imaginação anda preguiçosa, pois tudo vem muito pronto e arrumadinho. A criança, principalmente, precisa muito dessa ginástica imaginativa.
JS - O que mais te inspira a seguir nessa carreira?
LV - Propagar a ideia de que qualquer um pode contar histórias. A espetacularização da contação tira essa possibilidade, dá a sensação de que só aquela tribo que cursou a escola “TAL” ou outro curso de teatro, que fez aulas com a fono da moda ou que fez um trabalho corporal mirabolante pode realizar. A intenção primeira das minhas oficinas é que todos saiam instigados a contar. Sempre existirão contadores para grandes espaços e contadores para pequenas salas. E todos eles são fundamentais à sociedade. Cada um com o seu tempo, o seu ritmo, o seu olhar único e inimitável. Contadores são como um oásis na aridez das relações humanas de hoje em dia.
JS - Cite algumas histórias que você considera fundamentais para o desenvolvimento humano.
LV - Todas as histórias tradicionais (a maioria oriunda da tradição oral) são fundamentais para o desenvolvimento humano. Basta investigarmos as entrelinhas. A primeira chamada do meu blog é: “Aqui as historinhas são coisa séria”. Acostumou-se a ver esse material como uma coisa descartável e/ou banal, mas elas tratam, em uma linguagem metafórica, dos percalços da nossa trajetória. Esses contos nos conduzem a reflexões profundas acerca das nossas decisões e padrões de comportamento. A vastidão desse material é impressionante: encontramos contos que falam de incesto, homossexualidade, compulsão, enfim, para cada questão do ser humano existe uma história curativa. Acho que a Clarissa (Pínkola Estés) disse alguma coisa assim.
JS - Como você vê o panorama da contação de histórias no Brasil de hoje?
LV - Existem profissionais que desenvolvem pesquisas primorosas, mas a contação virou uma moda que pode acabar transformando a arte de contar histórias em algo extremamente descartável como o batom da estação. Às vezes, quando recebo as programações dos seminários e encontros de contadores nos estados e municípios fico pesaroso, pois constato que os contadores de causo de cada lugar são muito pouco prestigiados. Preferem pagar passagem aérea, hospedagem e alimentação para o/a incrível contador/a de histórias que conta em parada de mão com uma banana enfiada no ouvido. Detalhe: ela conta de costas para o público. Cada estado tem um acervo riquíssimo de histórias populares e, certamente, tem quem as conte. E aquele jeito de contar que encanta é que é o jeito certo de contar. Que vivam e sobrevivam as diferenças!!!
JS - O que você recomenda para os jovens que queiram conhecer melhor esta forma de expressão artística e se profissionalizar?
LV - Ouvir muitas histórias e ler toda a obra dos irmãos Grimm. Ahhh, e não ter pressa nenhuma em se profissionalizar...
JS. Quem é Laerte Vargas por Laerte Vargas?
LV - Um menino que tem medo do boi da cara preta.
Para conhecer melhor o contador de histórias Laerte Vargas clique aqui
Para obter informações sobre as oficinas de Laerte Vargas clique aqui
sexta-feira, 11 de março de 2011
Moacyr Scliar por Edmílson Caminha
Conheci Edmilson Caminha na cidade de Itabira - MG terra do poeta Carlos Drummond de Andrade, nos anos 90 do século passado. Edmilson é um mestre da palavra e da oralidade. Um narrador autêntico em todos os sentidos. Um "Mestre Griot" no melhor estilo brasileiro! Em Itabira, todos nós, entre entusiastas e poetas ficávamos sempre por perto quando ele abria o verbo e tecia narrativas sobre os grandes escritores que o Brasil tem. Esta semana, recebi este belo texto em que Edmilson Caminha, comenta a entrevista que fez com Moacyr Scliar em 1987
O DERRADEIRO GALOPE DO CENTAURO
(Edmílson Caminha)
À pergunta sobre como a condição de judeu se revelava em sua obra, Scliar respondeu, com a inteligência e o saber que todos admirávamos:
— Os povos da antiguidade legaram ao mundo grandes monumentos, como as pirâmides, os templos, importantes obras de arte; o povo judeu nada deixou a não ser um livro, mas um livro que condicionou o destino de milhões de criaturas neste nosso mundo. Essa veneração pela palavra escrita, pelo livro de maneira geral, na minha família era muito acentuada: embora pobres, nunca nos faltou, a mim e aos meus irmãos, dinheiro para comprar livros. Desde cedo fomos induzidos ao hábito de escrever, tanto mais que a minha mãe era professora primária, do próprio colégio onde eu estudava, e me estimulou muito a escrever. Além disso, no contato com os imigrantes ouvi muitas e muitas histórias interessantes.
Uma delas foi, certamente, a que lhe contou o pai José, imigrante russo chegado ao Brasil na década de 1920. Ouvi-a narrada por Moacyr no ano passado, quando juntos participamos da Feira do Livro de Guarulhos:
— A viagem de navio, longa e desconfortável, foi um pesadelo. Ao desembarcar com a família, a aparência daquele menino de oito anos devia ser péssima, pela pobreza dos trajes, pela fome estampada no rosto e pelo medo que lhe dava o país estranho em que punha os olhos pela primeira vez. Sensibilizado pela expressão de sofrimento, um homem se aproxima e lhe entrega... uma banana. Era o que podia oferecer, antes que o pequeno desfalecesse e fosse de encontro às pedras do cais. Ocorre que a generosidade trouxera um problema para a criança: que diabo de fruta era aquela? Como comê-la? Se fosse maçã, uva, pera, cultivadas nos campos da Rússia... Mas aquela coisa amarela, meio curva, que jamais vira nem desenhada em livros? José olhou, examinou e, afinal, decidiu: começou a descascá-la, jogou fora o que lhe pareceu um caroço meio mole... e comeu a casca!
Muitos anos depois, Scliar ouviria do pai a conclusão que lhe soava como a moral da história:
— Sabe que comer casca de banana não é assim tão ruim como a gente pensa? Até que dá pra engolir, principalmente quando se está com fome...
Essa, a experiência de vida e a sabedoria humana que o escritor converteu em ficção da melhor qualidade, a exemplo do romance O centauro no jardim. Em 27 de fevereiro, aos 73 anos, Moacyr Scliar, com a discrição e a elegância que lhe eram próprias, cavalgou pela derradeira vez o centauro, mito que tanto o fascinava, pois, metade homem e metade cavalo, é a um só tempo realidade e fantasia, as duas grandes matérias de que se faz a literatura. Partiu a galope rumo à eternidade, onde campeará para sempre nas coxilhas celestes, um suave e luminoso pampa que não tem começo nem fim...




